Vim carregada com as compras pelo metro fora (depois de me perder à procura da estação, que não tem qualquer sinalização e fica meio perdida num piso inferior entre umas lojas).
Ontem de manhã saí para ir comprar um telemóvel com número holandês. Fui outra vez ao Beurs Plein, porque tinha visto duas lojas da vodafone (hoje ainda vi outra na mesma zona, mas isso não vem agora para a conversa). Cheguei lá era meio-dia e as lojas só abriam às 13h. Liguei à mãe para fazer tempo e nem vale a pena dizer o que se passou.
Resolvi andar um bocadinho a pé e fui ter à zona das casas cúbicas. Ou melhor, não cheguei a ir logo, porque no caminho por acaso olhei para a rua à esquerda e pareceu-me ver uma coisa que me deixou quase aos saltos.

Exactamente isto. O café Lisboa. Um café com nome familiar, numa rua chamada Westewagenstraat, que me convidou a entrar só pelo nome e o papel a dizer "Serviço de Esplanada com pré-pagamento". Entrei meio a medo, mas sentei-me ao balcão, um balcão redondo só com homens sentados e tudo a falar português. :D Soube tão bem pedir uma bica e receber exactamente isso, uma chávena pequenina de café Nicola.
Não fiquei muito tempo, mas o suficiente para ouvir os homens todos a falar do Benfica, Porto e Sporting. Principalmente do Benfica, que perdeu no domingo com o Trofense. :D
Foi como se tivesse outra alma. Fui tirar outras fotografias mais decentes ali em volta.

Centrale Bibliotheek

Het Potlood (o lápis)- concebido, tal como as casas cúbicas pelo arquitecto P. Bloom



As casas cúbicas (as fotos estão com pouca qualidade, porque nos últimos três dias tem estado um frio estúpido, que faz com que eu trema toda a tirar fotos com as mãos doridas do frio e com que a máquina resolva empancar).

Blaak Station
Ainda fui ver a Witte Huis, que foi um dos poucos edifícios que sobreviveu à II Guerra Mundial, que não sabia que era ali tão perto.


Aproveitei ainda, já que era ali tão perto, para ver onde era o sítio onde há social drinks logo à noite.

Cá está o Eetcafé Eindeloos.
Lá fui finalmente comprar o telemóvel, depois de voltas e voltas entre duas lojas da vodafones e uma PhoneHouse. Voltei a casa para comer qualquer coisa antes de ir conhecer a Erasmus Universiteit Rotterdam.
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Aqui tudo é Erasmus... Eu não sou uma Erasmus aqui, como seria noutro sítio qualquer. Aqui Erasmus é o senhor Desiderius Erasmus, que empresta o seu nome a uma ponte (Erasmusbrug), à linha de metro (Erasmuslijn), à universidade, a tudo e mais alguma coisa.
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Esta foi a minha primeira visão da universidade. Aquele edifício alto com as letras é a minha faculdade. Cheguei lá a pensar que ia ter uma New Year's Reception para exchange students, mas estava muita gente e muita gente a falar holandês. Andava à nora. Perguntei na recepção do edifício, mas a senhora não sabia de nada e mandou-me para o Erasmus Student Service Centre (ESSC), de onde me recambiaram para o Education Service Centre. Lá me explicaram que a recepção era para toda a gente e que a nossa só começava daí a 45m. Aproveitei para tratar de papeladas, pelo menos isso.
Desci outra vez para o hall do edifício, onde lá encontrei pessoas com a mesma expressão de desorientação com que eu devia estar. Eram "erasmus". :D
Não ouvimos o discurso do reitor ou director, que só falou em holandês, e fomos mais cedo para a sala da nossa recepção. Éramos até aí uma portuguesa, um italiano, três espanhóis e uma francesa.
Depois de nos dizerem que podíamos ir até à recepção geral para todos os alunos comer e beber, lá fomos todos de volta para o hall, beber vinho e comer uns croquetes de espinafres, que eu tentava comer sem me sujar toda (sem qualquer sucesso) até descobrir que havia guardanapos! YEY!
Voltámos todos para a sala onde as senhoras do International Office se apresentaram, distribuíram pastas com imensas coisas lá dentro (mapas, guias da cidade, post-its da universidade, caixinhas, imensa coisa mesmo) e puseram-nos a fazer um jogo para ver o quanto sabíamos sobre a Holanda.
Apareciam umas perguntas no power point com duas respostas possíveis e uma indicação da cor, vermelho ou amarelo, e nós tínhamos dois cartões na mão para responder. Consoante fossemos errando, sentávamo-nos. Eu ganhei o jogo e recebi um prémio, um saco vindo da Erasmus Shop (é uma loja na rua das lojas dentro do edifício da faculdade; além desta tem cabeleireiro, livraria e mais outras coisas que eu não sei o que são), muito giro, uma caneca a dizer Erasmus University e um chocolate com a cara do Erasmus. Com o jogo ficámos a saber algumas coisas engraçadas: Roterdão tem 163 nacionalidades registadas (Amsterdão tem 177 não registadas, é a cidade do mundo com maior multiculturalidade - esta palavra existe, certo?), as túlipas são originárias da Turquia, para irmos a casa de um holandês temos de combinar primeiro, só existem duas cidades com metro na Holanda - Roterdão e Amsterdão, etc.
Saímos de lá todos juntos (todos... os alunos!) e fomos de metro até ao restaurante que ficava do outro lado do rio. Sim, havia um jantar e não era nada perto: andámos que nos fartámos, perdemo-nos sob as orientações do francês que já cá está desde Setembro e já tinha ido àquele restaurante.
Quando lá chegámos, já todos tínhamos alguma familiariedade com alguém, já nos tínhamos apresentado todos e fomos falando dos problemas linguísticos, objectivos para o tempo que aqui estivéssemos, etc. Depois de nos termos sentado é que alguns repararam que, inconscientemente, tinham ficado as raparigas todas numa ponta e os rapazes todos na outra. Depois de algumas refilices, algumas trocas (pouquinhas), lá se começou a jantar.
O jantar era bom. Podíamos escolher uma de duas entradas, um de dois pratos principais e uma de duas sobremesas que havia. Entre a entrada e o prato principal houve uma grande alteração de lugares, sob a proposta dos membros do International Office, para nos conhecermos todos melhor e não apenas alguns.
Não éramos muitos (somos 13 novos erasmus), mas a variedade de nacionalidades ainda era grande: alguns holandeses, 4 cipriotas, 3 espanhóis, 3 italianos, 2 ou 3 franceses, 2 australianos, uma sueca, um húngaro, uma eslovaca, um brasileiro e uma portuguesa (eu).
Como o jantar foi demorado (chegámos as 18h30 e saímos depois das 23h), acabei por vir logo a seguir com os cipriotas, sueca, eslovaca e uma francesa para a central station, onde nos despedimos e segui daí até casa sozinha.
Hoje tive a minha primeira aula. Estou a ter Applied Microeconomics, que se divide em Public Economics e Personnel Economics. Hoje a aula foi sobre Public Economics. Fiquei a saber que vou dar a matéria toda que dei em Portugal a Economia Pública, que no ano passado a taxa de aprovação nesta cadeira aqui foi de 27% no primeiro exame e 13% no segundo. O prof disse que quando viram os inquéritos pedagógicos perceberam porquê. A maior parte dos alunos declarou estudar cerca de 14 horas por semana para aquela cadeira, quando, segundo ele, tínhamos de estudar no mínimo 25 ou até mesmo 30 horas por semana!!! Claro que toda a gente se riu na cara dele e desataram todos a falar uns com os outros, enquanto ele sorria com alguma desilusão irónica e abanava a cabeça.
Segue-se bem a aula, se ele não resolver comer as palavras ou puser sotaque holandês nas mesmas. Alguém o devia ensinar que "consume" não se diz "congiume". O mais estranho para mim naquela aula foi ver pessoas a comer em plena aula, tudo com sumos, águas, 7ups e coisas do genero em cima da mesa e ainda o facto de o prof para dar um exemplo ter feito uma experiência em que no fim acabava por dar dinheiro a alunos (3,5€ a um e 1,5€ a outro)!
Depois da aula fui comprar os livros. Quase 200€ que me custaram na garganta, onde se fez um nó que ainda agora não desapareceu. Para desanuviar fui ao café Lisboa beber uma bica (eheheh) e descobri que fazem lá sopa. Por 2,5€ posso alimentar-me um bocadinho melhor, coisa que não tenho propriamente feito.
Logo à noite tenho a tal social drink no Eindeloos. Depois conto como foi.
Amiga o cafe lisboa deixou-te a mesma alegria que eu tive quando passei por essas terras em Dezembro de 2008 o calor humano e o ouvir a nossa lingua não há palavras.
ResponderEliminarBoa sorte para ti e continua a ir ao café LISBOA