Na viagem para o aeroporto, mais um bocadinho de desespero.
Até que entrei no avião. Um avião sem um único português que se denunciasse a falar, em que entrei e me sentei sem sequer olhar para o bilhete de embarque como deve ser. Claro que os holandeses tooodos olharam bem para o bilhete, viram qual era o seu lugar e sentaram-se correctamente. Aqui a je, como já era de esperar, estava no lugar errado, sentada sozinha num fila de três bancos. Veio um jovem holandês acompanhado da sua mãe, dizer que aqueles lugares ao meu lado eram deles. Em holandês. Deixei-os passar, depois de porem as suas coisinhas em cima, e sentei-me. O jovem voltou-se surpreendido e voltou a falar comigo num holandês que eu cá desconheço inteiramente até que se lembrou e perguntou… “ Je spreekt…?” e eu completei “english”.
Lá me explicou que vinha acompanhado da sua mãe, mas também do seu pai, pelo que eu teria de ir dar uma volta ao bilhar grande. Claro que eu fui ver o bilhete de embarque e lá descobri que o meu lugar era o TREZE A, bem encostada à janelita por cima do motor/asa com um casal do outro lado a entalar-me (os holandeses são mesmo grandes). Justamente um sítio óptimo para quem tem medo de andar de aviões.
Lá correu tudo bem, devo ter dado um espectáculo fantástico a dormir com os meus balanços de cabeça, assim como quando resolvi ir ao wc quando andavam as moças do avião a servir chá e a vender coisas… (tive de andar para trás e para a frente para deixar passar os dois carrinhos, não deixando pelo meio de ser gozada pelo casal que estava ao meu lado, que sugeriu que saltasse por cima).
Claro que não se riram da minha figurinha só aqui. O malão de 25,7 kgs deu trabalhinho durante o dia. Não era só o malão, era toda uma Mariana no meio de tralha: casaco, mochila do portátil com tudo o que é bolsinho aproveitado e ainda a carteira bem recheada. Quando fui buscar a mala no aeroporto (depois de fazer quase uma maratona até chegar ao baggage hall), é óbvio que não consegui apanhá-la à primeira, quando ela passou eu corri atrás dela, tipo pulguinha aos saltos, tentando furar entre as pessoas que não davam uma abertazinha que fosse. Um senhor muito alto (holandês, portanto) desatou a rir à gargalhada com a minha tentativa frustrada de tentar apanhar a mala. À segunda foi na boa: sem a ajuda de ninguém, consegui tirar a mala sem grande esforço.
Seguiu-se o comboio. Andava à norinha a tentar saber qual era a linha, lá me dirigi à senhora das informações que lá disse que era a 5-6 (ali o hífen quer mesmo dizer “ou”). Lá entrei no comboio a custo, quase a cair no chão com tanta gente a entrar ao mesmo tempo. A mala foi comigo no sítio das bicicletas no meio de umas velhotas simpáticas, que demoraram a perceber que eu não era de cá.
Quando cheguei a Rotterdam Centraal, já estava estoirada de tanta aventura com a mala, mas tive de enfrentar a descida das escadas não rolantes e o caminho até ao táxi, que parecia feito de muitos quilómetros.
Quando a senhoria me mostrou a casa, eu só queria era pô-la na rua. Lá me disse que estão cá a viver um alemão, um holandês e uma polaca residente em Espanha (nenhum deles deve chegar até segunda), mostrou-me o quarto, a casa de banho, disse quais eram os quartos de cada um e depois de me dizer onde era o supermercado mais próximo e um restaurante de uns portugueses de frango de churrasco, lá foi embora.
Eu já não tinha gostado muito da cozinha e da casa de banho, mas, quando fui observar melhor, fiquei ainda mais apreensiva. A cozinha não é muito grande, não há mesa para comer, tem dois microondas (um da senhoria, outro do holandês), uns armários a deixar ver a parede toda lixada (se bem que ela disse que vai arranjar os armários) e um frigorífico mínimo, cujo congelador nem isso se pode chamar. Para compensar tem um bem grande desligado em frente à porta do meu quarto, em cima de uma máquina de secar e em frente a uma cama que é para os visitantes (weeeeeeeeeee).
A casa de banho, literalmente divisão onde se toma banho, tem uma banheira que se pode descrever como um ligeiro desnível no chão tapada por um pano grosso (devia ter trazido os chinelos de praia). Uns azulejos algures entre o pistáchio e o preto forram a divisão praticamente toda. Querem fotos?
Mal a senhora saiu, desatei a chorar. Um pranto estúpido, demorado e aflitivo, com diversas recaídas até agora, que tive de empurrar bem para dentro para conseguir ir ao supermercado. Não, não são saudades de casa. É qualquer coisa muito estúpida, que não consigo explicar nem parar de fazer e que é aumentada pelo facto de ter um cabo ligado ao computador para ter internet, mas que não funciona.
O supermercado
Que coisa mais confusa. Não encontrei atum enlatado (lá tive de trazer salsichas…..) , não há fiambre que lembre fiambre (nem mesmo daqueles com muita água, sal e más condições de higiene, que encontraram em Portugal; mais parece fiambre sequinho que nem um bacalhau), há muitas coisas com aspecto esquisito, com legumes à mistura ainda mais esquisitos (e ainda estou para saber se a alface que trouxe é mesmo alface; e sim, eu comprei alface e tomate, para amanhã fazer sandes para andar aí a passear).
Coisas doces e gordurosas é que eles têm com fartura. Lá vim eu com o chocolate que alguém me receitou para o humor, doritos para petiscar à noite e um pacote de bolachas para a gula.
E quando ia a pagar na caixa, a menina pegou nos guardanapos, largou-se a rir e chamou a outra da outra caixa para se rir com ela. Ok, eles não usam guardanapos e acham que não comem de forma tão javarda que necessitem, mas há que respeitar os clientes!!!
Chegada a casa, foi a vez de pôr a pizza no microondas, enquanto andava aqui a limpar umas coisas. Esqueci-me de falar nas escadas….
As escadas são o desafio para entrar em casa. Trinta degraus apertadíssimos, daqueles que nem o meu pé, que não passa do número 37, cabe.
Acabei a noite a ver um filme, “The Duchess”, com várias sestas pelo meio, pelo que tive de voltar atrás umas quantas vezes.
"E quando ia a pagar na caixa, a menina pegou nos guardanapos, largou-se a rir e chamou a outra da outra caixa para se rir com ela. Ok, eles não usam guardanapos e acham que não comem de forma tão javarda que necessitem, mas há que respeitar os clientes!!!"
ResponderEliminarEheh! Hás-de reparar que eles pouco ou nada os usam! Aliás, nem eles nem praticamente povo nenhum, o que é curioso.... Aqui, sempre que há jantares, ninguém se lembra dos malditos guardanapos (nem sente a sua falta). Lá tem 1 tuga que recorrer ao papel higiénico! ;)
P.S. Mas nos supermercados costuma haver muitos...nunca se riram de mim...mas agora já sei que vou ficar mais apreensivo quando voltar lá!