O Filipe foi embora na segunda de madrugada. Depois de um pequeno período de choradeira (volta e meia tem de ser), lá voltei para a cama. Deu-me uma dor de barriga enorme, mas consegui dormir duas horitas. Acordei e fui à casa de banho a correr, estava com uma diarreia terrível.
Eu sei que isto é uma conversa de merda, literalmente, mas é curioso, porque além de já ter tido uns quantos dias de dor de barriga intensa e parecer que estou a fazer xixi pela frente e por trás, desde que vim para aqui até a cor da dita coisa mudou.
Já como melhor, tenho ido ao café Lisboa comer umas sopas ao almoço e tenho tentado jantar mais decentemente, embora de cada vez que vá ao supermercado tenha imensas dúvidas sobre o que levar para o jantar. Comprei um arroz no primeiro dia, que ainda não consegui atinar com aquilo: demora muito tempo a cozer e quando finalmente coze,
parece que não abriu nem um bocadinho.
As aulas lá vão indo, não tenho vontade nenhuma de pegar nos livros, que me parecem uma valente seca. O engraçado nas aulas é que vou aprendendo cada vez mais coisas sobre a Holanda através dos exemplos que os profs utilizam. E não só da Holanda. Há imensos exemplos em que se comparam as políticas utilizadas pelos países europeus e pelos Estados Unidos.
No outro dia, estava numa aula em que o prof fez um comentário sobre estarmos na idade das "love hormons", disse que compreendia isso tudo, mas que se achávamos que não as conseguíamos suportar para nos separarmos uns dos outros. Estava-se a referir a uma amena cavaqueira entre um rapaz e uma rapariga e esta não achou piada nenhuma.
Ontem fui ao Eindeloos. Esqueci-me da máquina fotográfica em casa, mas passámos um bom bocado. Os cipriotas estão sempre dispostos a fazer a festa e, após vários copos, já se faziam apostas sobre se o brasileiro iria ou não vomitar. Apenas ele achava que não.
Sempre que eu e o brasileiro começamos a discutir as diferenças culturais entre Portugal e o Brasil escangalhamo-nos a rir. Pode começar muito subtilmente, como numa conversa sobre o ice skating em que eu lhe perguntei se ele tinha malhado, lá lhe tive de explicar que malhar para mim significa cair e não fazer exercício. A partir daí, falou-se nas cuecas. No Brasil, os homens usam cuecas e as mulheres calcinhas. Quando ele ouve uma portuguesa a falar sobre as cuecas dela, ele fica bastante baralhado. Assim, como quando ouve um homem a dizer qualquer coisa sobre a sua camisola. Camisola lá é blusa e a camisola deles é uma camisa de dormir em Portugal.
Ah! E aquilo era a "What's-your-name-again-party", em que se punha um papelinho com o nome nas pessoas. Eu não tinha nenhum e fui pedir um papel a um rapaz que tinha uma camisola laranja (as pessoas do ESN, a associação que recebe os exchange students, andam smp com essas camisolas laranjas com o logotipo), que me disse para ir ter com uma menina que estava na outra ponta do bar. Eu não a via. E ele, que era enorme, não fez mais nada, toca a pegar na Mariana ao colo e pô-la ao nível dele. Parecia que estava a ter uma perspectiva de uma câmara de vigilância. Claro que conseguia ver a menina de que ele estava a falar!
Na segunda começou a chover e ontem choveu mesmo todo o dia, mas aqui vejo toda a gente andar à chuva, sem chapéus, gorros ou carapuços. Eu cheguei ao Eindeloos com o casaco todo molhado, não percebo como é que eles conseguem andar assim com a cara cheia de pingos...
Logo à noite devo ir até ao Concordia. Desta vez não me esqueço da máquina.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
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