Depois de uma ida a Amsterdão no dia 31 de Janeiro, em que fui finalmente ao Rijksmuseum, começaram os preparativos para uma curta estadia em Portugal. Voltei a Coimbra no dia 4 de Fevereiro e voltei para Rotterdam no dia 8, com a mala carregadinha de comida boa :)
Entretanto, dia 13 tinha de entregar um trabalho de História do Pensamento Económico e tinha teste. No entanto, dia 9 tive um jantar de aniversário numa residência, acabei por não fazer nada de jeito. E dia 10 tinha o "official welcome to international students", que acabou por ser muito engraçado e também não peguei nos livros nesse dia.
O official welcome começou com um discurso da presidente do ESN, continuou com um discurso do reitor da universidade, que nos disse para termos cuidado com o álcool e drogas, alertou-nos para o aumento da criminalidade na Holanda e disse para arranjarmos um novo amor, com a certeza porém que não iria durar muito.
Seguiu-se uma sessão de stand up comedy com um comediante inglês, muito conhecido na Holanda, Adam Fields, que nos iria fazer um retrato dos holandeses. Este senhor deu-nos uma autêntica dor no diafragma de tanta gargalhada que nos fez dar. Começou por gozar com o reitor e a sua recomendação quanto ao novo amor, dizendo que ele se tinha esquecido que as pessoas podiam já ter um, mas que à boa maneira da tolerância holandesa, ele devia achar que podíamos ter uns cinco ou seis. Disse também que se tivéssemos problemas nesta área, podíamos sempre contactar o reitor, que seria certamente um óptimo match maker. Como solução para o aumento da criminalidade, deixou a dica para se legalizar também o crime, com a emissão de licenças para assaltar pessoas, horas próprias para o vandalismo, etc. Seguiu-se um retrato hilariante dos holandeses (a forma como falam, que causa autênticas dor de garganta, a mania da pontualidade, a forma como esperam que toda a gente diga "lekker" quando provam a comida deles, acompanhada de um gesto esquisito - qualquer coisa parecida com esfregar a orelha à distância com a mão esticada em movimentos circulares) e dos próprios ingleses, com a sua barriga farta e músculos no braço de tantas canecas de cerveja que levantam.
Depois havia um jantar de comida típica holandês (grátis, o que dá sempre muito jeito). Comemos stamppot:

Basicamente, era batata cozida esmagada envolta em couve ou batata esmagada com cenoura ou batata esmagada com outro vegetal (que eu não consegui descobrir o que era), acompanhada, como sempre, por uma salsicha. Não era mau de todo, mas eu armei-me em alarve a servir-me e fiquei com o prato atulhado de comida, não tendo comido nem metade. Foi o suficiente para atrair um senhor que andava a fazer uma reportagem para a Erasmus Magazine, que nos tirou umas fotos e nos perguntou nomes (ele achava que conseguia escrever o meu apelido, mas eu achei melhor não arriscar....). Pelos vistos vamos sair na próxima edição, depois envio exemplares para toda a gente :D
Tínhamos também direito a duas bebidas grátis, havendo vinho, cerveja e sumos à disposição. Eu acho imensa piada, já no primeiro dia na recepção de ano novo havia comida e bebidas alcoólicas para toda a gente. Alguém podia avisar lá na FEUC que esta é uma forma de incentivar os alunos....
Seguimos para o Eindeloos, como sempre às terças-feiras, mas não estava tão animado como de costume, pelo que à meia-noite já estava em casa.
A partir daí, tinha de me concentrar no trabalho e no estudo para o teste. Claro que quarta não consegui fazer nada de jeito e deixei tudo para quinta. Quinta claro que fiz o trabalho em cima do joelho e ainda gostava de perceber como é que as minhas colegas de grupo turcas conseguiram responder a 14 questões em duas horas, quando eu levei o dia todo a responder a seis (se é que se pode dizer que de facto respondi o que se pretendia....).
Acabei o trabalho à uma e meia da manhã, não conseguia dormir, por isso pus-me a ver um filme, "Rachel getting married", que me conseguiu pôr a chorar durante umas dezenas de minutos.... Devo ter dormido umas quatro horas e meia.
Na sexta tinha aula às 11h e teste às 13h. Resumindo, pura e simplesmente não peguei nos livros para o teste e baralhei-me toda durante o mesmo...
Sexta à noite... Que raio fiz eu sexta à noite? Ah, sexta à noite fui a uma festa franco-espanhola na International House, mas não foi lá muito boa. Eu e a Sandra depois já não apanhámos o último tram para casa, por isso viemos a pé, o que se revelou bastante mais divertido do que o resto da noite. Acabámos por identificar uns bares engraçados para ir qualquer dia e fartámo-nos de rir ao longo do caminho.
Sábado, combinámos ir ao mercado para comprar fruta e arranjar a bicicleta. A Elin também foi connosco e levou a bicicleta dela para ver se eu a queria, porque era demasiado pequena para ela. Lá fiquei com aquela coisa horrível e deixei-a também a arranjar o pneu furado no senhor que arranja bicicletas no mercado (fica bastante mais barato do que ir a uma loja).
Por isso basicamente, aqui está a minha nova aquisição, à qual ainda me estou a habituar.
Só chego com as pontinhas das pontinhas dos pés ao chão. Quando tirei a carta de carro, nos primeiros tempos só rezava para que ninguém parasse à minha frente e para que os semáforos estivessem sempre verdes. Agora a história repete-se.
Ando tão bem naquela coisa que já vi pessoas a escangalharem-se a rir na minha cara quando tento iniciar a marcha. É uma figura verdadeiramente ridícula.
Aliás, para terem uma ideia, ontem a vir de casa da Sandra entrei em contramão (a minha dúvida estúpida ao escrever esta palavra: aqui- e sim, sempre que eu escrevo aqui, vou imensas vezes ao dicionário) na linha do autocarro. Quando me dei conta, tive de sair da bicicleta, pegar nela e pô-la na estrada, mas em direcção à pista das bicicletas. Não estava fácil pôr-me em cima da dita e entretanto, vinha um carro, por isso achei melhor esperar que ele passasse. Ele não passou, parou ao meu lado e as duas polícias que lá iam dentro perguntaram-me se estava tudo bem num tom que parecia indicar "por acaso não estás embriagada, pois não?!". Lá lhes expliquei que ainda me estava a adaptar à bicicleta, que era só o segundo dia que a tinha e que era um bocadinho grande para mim. Largaram um "ôôôôôôôôôôôôhhhhh" e desataram a rir mesmo ali na minha cara. Lá perguntaram se a bicicleta era minha, contentaram-se com um "sim" (apesar de haver uma boa probabilidade de ter sido roubada de alguém antes de ma venderem...) e foram embora.
No sábado à noite, como era dia dos namorados, houve uma festa alusiva ao dia numa residência do outro lado do rio. Encontrei-me com o Adam e com a Sandra na central station e resolvemos ir de bicicleta. Como a bicicleta da Sandra, ficou sem ar no pneu dez minutos depois de arranjada, ela levou a minha e eu fui sentada atrás. Quarenta e cinco minutos depois, lá chegávamos à African Inn.
Quando chegámos, a festa não estava lá muito animada, mas havia um jogo em que cada rapariga tirava um papel de um montinho e cada rapaz outro de outro montinho e tinham de encontrar o par respectivo. Isto à base de casais conhecidos (Tom Cruise e Katie Holmes, a Bela e o Monstro, Ken e Barbie, Homer e Marge Simpson, David e Victoria Beckham, Romeu e Julieta, etc.).
A mim calhou-me a Scully dos X-files, a que eu nunca achei piada, e tinha de encontrar o Mulder. Depois de encontrado o par respectivo, tinham de tirar uma foto e escrever os nomes verdadeiros num coração da parede.
Uma hora e tal depois, olho para um rapaz com um aspecto esquisito, que olha para mim e diz "eu sou o mulder e tu?". Que raio de Mulder me havia de calhar na rifa... Uma figura esquisita com uma argola no nariz tipo porco, super contente por finalmente ter encontrado a Scully. Lá tirámos a foto, escrevemos o nome e pisguei-me dali logo. Não é por nada, mas o rapaz era um bocadinho estranho e estava demasiado entusiasmado...
Ficámos até às 3h na African Inn e voltámos para casa de bicicleta, com um frio estúpido.
Domingo é o santo dia do descanso, o único em que fecho os estores do meu quarto para conseguir dormir até tarde. Ontem, por acaso foi o único domingo em que saí de casa à noite, havia uma pequena festa em casa da Sandra e do Adam, para mostrar o apartamento aos amigos. Fui gozada por ter acordado às 15h. O que eu não percebo é como é que estas pessoas aguentam a semana toda a levantar-se às 9h e ao domingo ainda fazem orgulhosamente o mesmo...
No entanto, hoje o dia começou cedinho. Levantei-me às 09h45, com umas dores no rabo da bicicleta e lá fui para a universidade da mesma maneira. Doeram-me as pernas durante grande parte do caminho e agora que tenho de fazer este esforço para pedalar, descubro que a Holanda não é assim tão plana quanto dizem! Cheguei à universidade meia hora depois a precisar de um novo banho e fui direitinha para a aula, só para me sentar a descansar!
Agora que as aulas começaram e com a gripe a fazer de cereja-no-topo-do-bolo, também ando com a mania parva de me levantar cedo (e depois espanto-me com o peso que sinto nas pálpebras à cinco da tarde, com o sol que entra nas janelas gigantes do auditório das Letras e que me tira toda a vontade de fazer os monótonos exercícios de sintaxe...). Tudo isto só para dizer que adoro a tua bicla roxa e rosa!!
ResponderEliminarLOL a bicla rosa e roxo está outra vez com o pneu em baixo, quatro dias depois de uma câmara de ar novinha em folha! E vai ser vendida, preciso de uma com umas rodas mais pequenininhas... percebes-me, não percebes? ;p *
ResponderEliminarperfeitamente ;)
ResponderEliminarlol eu nao percebo!pensei q quisesses trocar por ser cor d rosa... :p
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