segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Uiii... que deixei acumular duas semanas para contar...

Dia 23 de Janeiro, sexta-feira, era dia de teste. Comecei a tentar estudar na segunda, na terça continuei a tentar e na quarta já só dizia "tirem-me esta porcaria da frente, que isto é uma seeeeecaaaa!!!!". Por isso, terça e quarta à noite fui para os copos. Terça no eindeloos, quarta no Concordia (eu prefiro o Eindeloos, sempre dá para respirar um bocadinho, porque o Concordia agora enche tanto, que eu vejo-me um bocado aflita para conseguir obter ar com menos dióxido de carbono; é que à minha volta é tudo grande e abafam-me que é uma coisa parva - e nem vou falar daqueles que são tão altos que vão contra mim na universidade porque não me vêem....)




Terça, 22 de Janeiro - um cheirinho da noite no Eindeloos




Quarta, 23 de Janeiro - Concordia

Para não sentir algum peso na consciência, pedi a toda a gente para não me dizer nada na quinta, para ver se com a pressão ainda estudava alguma coisa. Confesso que não estudei lá muito, mas na sexta quando vi o maldito-teste-que me-afastou-das-pessoas-por-uma-noite pensei "uuuuuh eu sei alguma coisa yeeeehhh". Claro que não estudei metade da matéria (nunca estudo...), nem fiz as perguntas todas (também nunca faço), mas o saldo até foi positivo (pensando que não, a técnica até dá resultado): tive sete em dez, tendo feito apenas sete das dez perguntas :) ihihihihi.

No dia seguinte, estava marcada uma viagem até Delft, organizada pelo ESN.

Delft não tem mesmo nadica de nada a ver com Roterdão. Fora de Roterdão tudo me parece mais pitoresco e acolhedor, casinhas pequeninas, história,...




City Hall


A Nieuwe Kerk


O nosso grupo a tentar enfiar-se todo num pontezinha - éramos 81 ao todo.




E, caso não tenham reparado eu estou ali mesmo à frente - sim, porque eu faço sempre questão de gritar "short people at the front!!!" e eles lá fazem o favorzito de me deixar passar para primeiro plano.

Começámos por ir a uma fábrica de louça de Delft.
Uma pequena explicação: a louça de Delft, Delfts Blauw, é muito conhecida e completamente feita à mão. Chama-se Delfts Blauw, porque é, tradicionalmente, pintada em tom de azul (blauw).
Na fábrica, que não era mais do que uma pequena loja, o dono explicou-nos o processo de fabrico inteiro, disse-nos também que existiam apenas três fábricas que actualmente faziam verdadeira louça de Delft e que a maior parte das coisas que encontramos nas lojas de souvenirs são feitas em Marrocos e China. Ensinou-nos a distinguir a louça verdadeira da falsa: assim muito resumidamente, toda a loiça verdadeira tem o símbolo de uma das três fábricas e diz "Delft" (apenas estas podem ter escrito Delft nas peças, as falsas tentam fugir a isto inscrevendo por exemplo "Delft Blue").









Uma miniatura em louça do City Hall





Depois fomos visitar a Nieuwe Kerk. Esta está associada à família real holandesa, a Casa de Orange, desde a guerra dos oitenta anos com Espanha (também designada de revolta holandesa ou revolta dos Países Baixos), que aconteceu entre 1568 e 1648. Devido à guerra, Willem van Oranje, rei na altura, mudou a sua residência para Delft pouco antes de morrer. Foi assassinado a 10 de Julho de 1584 e, uma vez que Breda, cidade onde até aí a família real era sepultada, se encontrava tomada pelo império espanhol, foi sepultado na Nieuwe Kerk.
A partir daí, a família real holandesa passou a ser sepultada nesta igreja.


Mausoléu de Willem van Oranje


A pedra que cobre a entrada para a cripta onde é sepultada a família real. Só é permitida a entrada a membros da mesma.

Para um esquema da cripta, cliquem aqui (e depois em "House of Orange", onde vão encontrar um separador que diz "The Royal Burial Vaults" em que devem clicar).

Depois da Nieuwe Kerk, seguimos para a mais velhinha, a Oude Kerk. Lá encontram-se sepultados Piet Hein, o herói naval da Holanda de que já vos falei, e Johannes Vermeer, um pintor holandês bastante conhecido, que pintou quadros como "A Rapariga do Brinco de Pérola" (que deu o nome ao filme sobre Vermeer) e "The
milkmaid
".


Oude Kerk





Já cheiinhos de fome, o meu grupo (tivemos de nos separar em dois, porque andar com oitenta pessoas para trás e para a frente, não é fácil) foi finalmente almoçar. Se bem que não se pode chamar àquilo almoço, mas os holandeses nas refeições são esquisitos como tudo. Fomos então comer poffertjes. Poffertjes são tipo umas mini panquecas doces, que levam depois uma dose cavalar de açúcar e manteiga derretida por cima. Um bocadinho enjoativas e nada comparado a um bom bife mal passado, mas lá deu para encher o estômago durante uma horita.


Poffertjes.

A visita oficial acabava aqui e depois quem quisesse ia até a um pub. Nós (eu, Sandra, Adam, Marianna, Sara, Lorena e Lorenzo ) resolvemos passear mais um bocadinho por Delft.Vimos algumas coisas engraçadas, desde um homem a demorar dez minutos a estacionar o carro junto ao canal enquanto nós rezávamos para ver o dito cair dentro de água (não há qualquer vedação a separar os passeios dos canais), até a uma loja de antiguidades que vendia uns souvenirs muito sui generis, bicicletas personalizadas... Para mais detalhes, vejam as fotos:










Entretanto, no meio do passeio, avistámos um moinho ao longe. Eu e a Sandra resolvemos ir espreitá-lo e os outros ficaram à nossa espera. Dar com a entrada não foi lá muito fácil, apesar de haver um letreiro gigante a apontar para ela, que consistia numas escadinhas de madeiras escondidas por uma parede. E quando eu digo escadinhas, são mesmo escadinhas, que eu não percebo esta mania de fazerem degraus em que nem o meu pé cabe, quanto mais as patorras dos holandeses. E não só, degraus pequeninos, mas sempre muiiitooos. Eu já mostro.
A entrada era grátis e o moinho estava vazio, não se viam sacos de farinha, apetrechos nenhuns, nada. Mas cá em cima tinha uma plataforma, que tinha uma vista engraçada e que dava muitas vertigens pelo simples facto de se ver a estrada lá em baixo por debaixo dos nossos pés, já para não falar das pás a rodarem mesmo ao nosso lado.



















Depois, fomos ter com o resto da malta, que já não era muita, a um pub na praça principal. Fomos convidados a ir jantar a casa de um holandês do ESN, que vive em Delft. Ele e mais quatro foram comprar bebidas e encomendar pizzas, nós fomos ter a casa dele e lá jantámos. Depois de muita conversa, algumas pessoas começaram a voltar para Roterdão. Ficámos só sete: eu, o Adam, a Sandra, a Marianna, o Tom, o Carl e o Paul (o dono da casa). No final de uma sessão de cantoria e já um bocado cansados, resolvemos ir apanhar o comboio. Antes de sairmos de casa, sabendo que era uma caminhada a pé de dez minutos, o Paul foi ver a que horas era o comboio, que só passava de hora em hora. Faltavam 17 minutos. 17 minutos para sair de casa chegar à estação.
Ora bem, dez minutos na passada do Paul, já são equivalentes a vinte minutos na minha. Agora, 17 minutos a andar rápido ao ritmo deles, para mim equivale mais ou menos a 17 minutos de treino para participar nos próximos jogos olímpicos na modalidade de marcha. Não bastasse isso, ao fim de 5 minutos enfrentamos a escalada de uma colina cheia de lama em que eu comecei a escorregar, a pensar que tinha de esfregar mais outras calças todas sujas e a rogar pragas a toda a gente e em que tive de pedir ajuda à Marianna (quase que se ia transformando numa luta na lama). E não bastasse isto, mal chegamos ao cimo da dita, começam todos a correr feitos malucos. Resultado, ao fim de não sei quantos minutos eu comecei a parar, embora tivesse um grupo de apoio incrível a berrar por mim "come on! you can do it" e eu só lhes dizia "corram vocês que eu vou no próximo".
No entanto, ainda apanhei o comboio nas calmas, como quem diz cheia de dor de burro, mas lá consegui chegar a tempo.

Chegados a Roterdão, ainda fomos a casa da Sandra e do Adam meia horita e depois vim para casa, porque precisava mesmo de dormir, até porque começava a ficar com uma dor de cabeça fortezita.

Quando abro a porta do prédio, vejo a porta do apartamento do andar de cima aberta e uma barulheira do tamanho do mundo: montes de pessoas a falar e música aos altos berros. Parecia que tinha um bar por cima de minha casa. Nem me deitei. Fiquei à espera que a festa acalmasse, o que só aconteceu duas horas depois, quando a música de repente baixou um bocadinho. Mas às 4h da manhã lá tive nova dose de puntx puntx puntx mm em cima do meu quarto, mais o som das pessoas a andarem de um lado para o outro e ainda o ruído de um café cheio de gente em dia de jogo.

Devo ter adormecido lá para as cinco/seis da manhã ainda envolta em barulho.

No dia seguinte, tinha os músculos todos doridos... Nem quero imaginar como vai ser quando finalmente tiver a bicla.

(Depois conto o resto, que isto, parecendo que não, demora muito tempo a escrever...)

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